"- Desejo, primeiro, que você ame, e que amando,
também seja amado. E que se não for, seja breve em
esquecer e esquecendo, não guarde mágoa.
- Desejo pois, que não seja assim mas se for, saiba
ser sem desesperar.
- Desejo também que tenha amigos que mesmo maus e
inconseqüentes, Sejam corajosos e fiéis e que em pelo
menos num deles você possa confiar sem duvidar.
- E porque a vida é assim, desejo que você tenha
inimigos; Nem muitos, nem poucos mas na medida exata,
para que, algumas vezes, você se interpele à respeito
de suas próprias certezas. E que entre eles haja pelo
menos um que seja justo, para que você não se sinta
demasiado seguro.
- Desejo depois que você seja útil mas não
insubstituível. E que nos maus momentos, quando não
restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para
manter você de pé.
- Desejo ainda que você seja tolerante; não com os que
erram pouco, porque isso é fácil, Mas com os erram
muito e irremediavelmente e que fazendo bom uso dessa
tolerância Você sirva de exemplo para os outros.
- Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa
demais, E que sendo velho não se dedique ao desespero,
Porque cada idade tem o seu prazer e sua dor e é
preciso deixar que eles escorram por entre nós.
- Desejo por sinal que você seja triste; não o ano
todo , mas por apenas um dia. Mas que nesse dia
descubra que o riso diário é bom; o riso habitual é
insosso e o riso constante é insano.
- Desejo que você descubra com a máxima urgência,
acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos,
injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
- Desejo ainda que você afague um gato, alimente um
cuco e ouça um João de Barro erguer triunfante seu
canto matinal; porque assim, você se sentirá bem por
nada.
- Desejo também que você plante uma semente, por mais
minúscula que seja e acompanhe seu crescimento para
que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma
árvore.
- Desejo, por outro lado, que você tenha dinheiro,
porque é preciso ser prático e que pelo menos uma vez
por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga:
"isso é meu", só para que fique bem claro quem é o
dono de quem.
- Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por
eles e por você, mas que se morrer, você possa chorar
sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
- Desejo, por fim, que você, sendo um homem tenha uma
boa mulher, e que sendo mulher, tenha um bom homem. E
que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte, e quando
estiverem exaustos e sorridentes ainda haja amor para
recomeçar. E se tudo isso acontecer, não tenho nada
mais a te desejar."
Victor Hugo
terça-feira, janeiro 08, 2002
A VIDA.....
Se você abre uma porta, você pode ou não entrar em uma
nova sala.
Você pode não entrar e ficar observando a vida.
Mas se você vence a dúvida, o medo e entra,
você dá um grande passo:
nesta sala vive-se.
Mas, também, tem um preço ...
São inúmeras outras portas que você descobre.
Às vezes, quebra-se a cara, às vezes curte-se mil e uma.
O grande segredo é saber quando e qual a porta
que se deve ser aberta.
A vida não é rigorosa. Ela propicia erros e acertos.
Os erros podem ser transformados em acertos
quando com eles se aprende.
Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa.
A cada sala que se vive, descobrem-se tantas outras
portas!
E a vida enriquece quem arrisca a abrir novas portas.
Ela privilegia quem descobre seus segredos
e generosamente oferece afortunadas portas.
Mas a vida também pode ser dura e severa.
Se você não ultrapassar a porta,
você terá sempre a mesma porta pela frente.
É a repetição perante a criação,
é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das
cores,
é a estagnação da vida ...
Para a vida, as portas não são obstáculos,
mas diferentes passagens ...
segunda-feira, janeiro 07, 2002
Viver, simplesmente VIVER?
Meu cão faz isso muito bem...
(Antônio de Mello)
quarta-feira, janeiro 02, 2002
SÓ
Vontade de ser sozinho
Sem grilo do que passou
A taça do mesmo vinho
Sem brinde mas por favor
Não é que eu não tenha amigos, não
Não é que eu não dê valor
Mas hoje é preciso a solidão
Em nome do que acabou
Vontade de ser sozinho
Mas por uma causa sã
Trocar o calor do ninho
Pelo frio da manhã
Valeu a orquestra se valeu
Agora é flauta de Pã
Hojé é preciso a solidão
Com a benção do Deus Tupã, ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta
Acabou
A flecha que passa rente
Cantor implorando um bis
O cara que sempre mente
A feia que quer ser miss
Gaivota voando sob o céu
A letra que eu nunca fiz
Tudo é a mesma solidão
Mas dá pra se ser feliz, ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta
Acabou
E todo mundo é sozinho
E ai de quem pensar que não
A moça com seu vizinho
Soldado com capitão
E resta a quem tá sem seu amor
Amar sua solidão
Hoje é preciso um uivo
De lobo na escuridão, ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
O vento não traz resposta
Acabou
E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
O vento não traz resposta...